O riso em Admirável

arquivado em: livros&filmes&séries, pensamentos em voz alta  

Por que é que a gente ri? Me peguei pensando nisso dentro do ônibus, na hora do almoço, lendo Admirável Mundo Novo.

O livro é uma ficção científica que data da década de 30, o qual projeta o que o autor, Aldous Huxley, pensava que seria do futuro. Resultado: sociedade em castas bem definidas, baseada na "comunidade, identidade, estabilidade" (lema), pessoas alteradas geneticamente (pela divisão em castas), gêmeos (não tri, não tetra, mas no nível de 100, isso para reforçar a estabilidade — necessidade de trabalhadores de mão-de-obra barata), uso de hipnopedia para fazer com que as pessoas tenha "consciência social". Além disso, os seres humanos são filhos de chocadeiras mecânicas e conceitos de pais, família e individualidade são coisas risíveis.

Ridículas na verdade. Nessa sociedade imaginária, na qual sentimentos individuais são desencorajados — coisas como o amor, o compromisso de ter só um parceiro e até ter essas idéias são punitivas —, a imagem de alguém chamando o outro de pai e outro de mãe são dignas de risadas sinceras. Foi nesse ponto que vim questionar: por que é que a gente ri?

Parece até ser simples, quando você pensa superficialmente sobre a questão, mas não consegue chegar a uma conclusão rápida. Então, lá fui eu pesquisar sobre riso/humor na Wikipedia, achei três teorias: a de que a gente ri por se achar superior; ri por quebra de expectativa; ri para demostrar alívio, se liberar de uma censura.

Eu concordo com as três, pode? Nesse mesmo artigo, diz que o humor é relativo à cultura de um povo. Ora, pois. No caso do livro, parece-me que riem por quebra da censura, já que esse é tema também do livro, — tanto que as atitudes do personagens são condicionadas e mecânicas.

Mas e aí: por que e de que você ri?

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Postado em 12/11/08 // 12 comentários >>>>


Cidade minha desconhecida

arquivado em: do cenário  

Ultimamente eu tenho procurado por lugares diferentes da minha zona de conforto para ir. Não só lugares, mas também bandas, músicas de estilo diferente, procurando também blogs e coisas relacionadas ao assunto. Nessa procura, achei sim blogs, bandas, mas nenhum filhodaputamaconhado que queira ir a outros lugares. E para complentar minha alienação diante do que está fora da minha zona de conforto, também estou descobrindo que não conheço nada da minha cidade, Beagá, onde nasci e moro desde, então.

O nada foi provavelmente para efeito, porém é fato que há coisas que acontecem na cidade passam por mim, talvez, indiferentes ou mal-divulgadas. Não é que, por exemplo, não conheço pontos turísticos (ahn?) de Beagá, é que eu não vou a eles, ou quando há algo como um festival de cinema, de música, eu não vou. Às vezes até acho que tem a ver com o tradicionalíssimo — de tradição mineira mesmo — ditado mineiro, "se não tem mar vamos para o bar" — e bar não é qualquer que você vai do nada e sempre. Por outro lado, há aí uma 'história' que um produtor uma vez arranjou um festival aqui e deu algo errado — que não lembro o que foi — e Beagá se fudeu nessa: nunca mais mega shows. Contudo, é uma 'história'.


Praça da Liberdade - foto de http://www.flickr.com/photos/idiota/

O que descobri de mais interessante foi um blog sobre indie/rock, o Meio Desligado, que é de estudantes daqui e que postam com certa freqüência sobre festivais, de Beagá e do resto Brasil e de coletivos, o Pegada e o Fórceps. Além desses, achei também um blog que fala especificamente sobre Beagá, notícias, crônicas, como desejar nomear,   O Urbanistas, versão BH. Há outras versões também e é aberto a quem quiser escrever. E também, descobri um casa noturna que até mesmo o professor de Literatura do cursinho tava falando outro dia: 'A Obra', a qual é muito falado nos três primeiros blogs que citei.

Então, descobrindo que Belo Horizonte é mais que shoppings, cinemas, e casas noturnas de músicas, por vezes, duvidosas. O que falta é diminuir a indiferença e melhorar o que já há. Afinal, quem faz a merda da cidade é os moradores? Ou será que temos que apelar para o alter-ego para mudar a visão que repetimos de Beagá?

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Postado em 02/11/08 // 7 comentários >>>>


Admirável gado novo dissidente

arquivado em: do cenário  

Aqui em Beagá, quanto mais se vê debates e tv mais insatisfeitos ficam os eleitores, é uma cachorrada, uma baixaria e só descobertas bombásticas, como envolvimento no valério duto, dúvida enterna sobre nomes da família que teriam roubado uma prefeitura e por aí vai. Mas como é que se "chuta a bunda deles"? Como é que fica a insatisfação com dois candidatos que ninguém mais quer? Eu diria o voto em branco ou nulo, mas eles já morreram como dizem vozes por aí…

Antes que tivessem declarado morte ao voto em branco e ao nulo, queria ter levado-lhes as questões metafísícas: quem é você e qual o seu objetivo. Como eu não sou Deus ou qualquer entidade religiosa por aí, não posso falar com os mortos e enterrados já até com epitáfio escrito, "Voto em branco ou nulo é deixar que os outros escolham por você.", assim como interpretado por quem convém. Contudo, eu não sou fã dessa tradicionalidade familiar de velório, enterro e epitáfio, porque, além de o morto não estar ali na reunião familiar (sempre rola piadas e comida), ainda tem a vida resumida em uma frase. Quem é tão insignificante que se resume em uma frase? Portanto,  faz-se importante ser lembrado a pluralidade das coisas — por que lembrar de ele ter sido pai, marido e amigo, quando também foi leitor de jornal, telespectador, internauta e, quem diria, amante.

Então, partindo desse ponto, é importante que se interprete mais que uma voz sobre os dois tipos votos, uma vez que não há pesquisa de satisfação de candidatos na urna eletrônica ou meios capazes e competentes para isso. Ainda mais se você está diante de uma vala e um cânion num segundo turno.

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Postado em 24/10/08 // 7 comentários >>>>


Blog Action Day: O que sobrou do céu?

arquivado em: do cenário  

Antes de começar a escrever este texto, fui ver as sugestões, os textos para o BAD08. Encontrei imagens, muitas imagens catárticas, pobreza apontada na África, reclamações sobre políticas públicas no Brasil — top top: "bolsas esmola" —, controle de natalidade, maneiras de você economizar dinheiro e daí doar esse dinheiro para caridade. Algumas medidas legais e outras nem pensando bem. Então, o que fazer para mudar o mundo, para acabar com a pobreza, para acabar com todos os problemas? Não sei. Não sei como resolver tudo e não sei se é possível.

A pobreza é secular, é milenar e só se agrava, se globaliza. No Brasil, de onde eu a conheço, a pobreza contraiu matrimônio poligâmico com a conivência e a negação, e acredito que não seja diferente no resto do mundo. O nosso país é a nona economia mundial e possui um dos maiores coeficientes Gini do Mundo — esse é o indicador que demonstra a concentração fundiária e de renda no país e avalia a desigualdade social —, ficando atrás só de alguns países africanos. É estimado que 1% da população possui o mesmo que 50 milhões de pessoas. Só  com esses dados já dá para dizer que o brasileiro é íntimo da pobreza, e para comprovar isso bastar sair às ruas, andar de ônibus e olhar pela janela.

Processos, como as eleições, vêm e vão e eu já cansei de ver como se vota por todo lado. É descaso com o horário político, por parte dos políticos, e descaso bovino da populaça em deixar que tudo continue da mesma forma. É falta de percepção, de conhecimento, é sobra de conforto, de mentira. Algo que deveria expressar a vontade de todos, repete toda a mentira de que vivemos em democracia (Do gr. demokratía. 1.Governo do povo; soberania popular; democratismo)¹. E aí, as questões sociais são deixadas de lado.

E, assegurando-nos de que a pobreza já está na nossa cultura, pergunto se ainda existe humanidade, se existe complacência, se a gente é capaz de ter compaixão. Aí me lembro de histórias daquelas midiáticas, que se transformam em dramalhões televisivos, como o 'caso Isabela' e o 'ônibus 174' e tantos outros, os quais causam tanta indignação na população — que só a causam porque é necessário que se esfregue na cara das pessoas, that we crash into each other so we can feel something. E o pragamatismo, que ofusca essas visões no cotidiano,  se apossa das mentes a tal ponto, que é impossível discernir o freqüente do normal. E tanto mais que para discursamos sobre a pobreza é necessário um Blog Action Day.

É por isso, então, que me aposso das idéias de O Auto da Compadecida e dos ensinamentos moralizantes (embora não goste muito da palavra) da Bíblia, neste Blog Action Day, os quais são de sabedoria popular. Necessita-se que a gente enxergue além das ações das pessoas, veja a motivação delas, seja compadecido para entender, possua intimidade para ajudá-las. Porque se não, seria como se, de uma ótica simplificada, disséssemos que a culpa da pobreza é do pobre e, por isso, vamos exterminá-los; que no mundo nada é interligado e a pobreza, com suas conseqüências, não nos atingisse.

Precisamos ajudar. Paliativamente e ajudar definitivamente. Contudo, não sendo incoerente com seu próprio discurso anti-'bolsas esmolas' ao doar dinheiro para alguma instituição e tratar o problema como resolvido, porque fez o que podia ('o que não tem remédio, remediado está', né?). Acredito que nada seja justificado, mas motivado; logo, a partir do "co-sentimento", devemos fazer o que é melhor para todos em um consenso. E a pobreza não é consensual.

¹ Novo Dicionário Eletrônico Aurélio Eletrônico 5.0

Esta é a parte do post em que eu deixo links para vocês verem. :)

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Postado em 15/10/08 // 9 comentários >>>>


Clubinhos, piadas internas e intertextualidades

arquivado em: pensamentos em voz alta  

As intertextualidades, evidências da erudição dos autores, são usadas a direito e a direito em clássicos da Literatura. Os livros Machado de Assis, sempre o exemplo, contêm uma por período; além de fazê-las durante descrições e narrativas as faz também pela temáticas, como a de Dom Casmurro alude a de Otelo. Essas formas de trabalhar o texto criam lá aquela atmosfera exclusivista para leitores tão eruditos quanto o escritor, pois outros não hão de entendê-las.

As alusões — as mais terríveis —, vêm trazidas da Bíblia e/ou, também, de livros mais clássicos que os prórios e, logo, difíceis para os leitores inabilitados, como eu. É. Questões óbvias, às vezes, como reflexões que trabalham com o porquê de o lado direito ser certo (porque Jesus está à direita de Deus), ou por que o símbolo do casamento é um anel, círculo (é infindável) são coisas simples que estão na nossa cara e, ainda assim, não entendemos quando lemos nos livros.

As aulas de Literatura, então, tornam-se aulas de verdadeiras descobertas do óbvio e do erudito, nas quais a gente se aproxima mais do elitismo vangloriado. Do óbvio, coisas realmente práticas, reflexivas ao que concerne o cotidiano; e do erudito, idéias mais intelectuais que necessitam de maior dissertação. Porém, as intertextualidades não deixam de ser clubes exclusivistas que mais excluem que integram. Não que eu queria que elas acabem.

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Postado em 24/09/08 // 15 comentários >>>>


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Léo Ruas estudante- vestibulando, residente de Beagá, dezoito anos, vagabundando por aí. meadiciona >>>>

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